O Despertar do Feminino…
“As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva…” Jamie Sams
A maioria das pessoas que me procuram no consultório são mulheres, foi assim que comecei a perceber a similaridade das queixas femininas, claro que cada uma com seu arsenal de crenças pessoais e individuais, porém no decorrer do tempo ficava realmente mais claro para mim a certeza de que as mulheres possuem uma característica muito diferente, um universo de sensibilidades e emoções, que pertencem só a elas.
Com o passar do tempo, mergulhada neste universo e motivada pela vontade de descobrir alguma ferramenta que auxiliasse no processo terapêutico de forma efetiva, fui levada a pesquisar a situação social, religiosa e sexual da mulher na Idade Média, e quão grande foi a minha surpresa a perceber que muitas crenças e padrões relacionados ao universo feminino de baixa auto-estima, de não merecimento, de inferioridade, de necessidade do outro, de apego excessivo, de medo, culpas e tantas outras havia sido proclamado nesta época de muita dor para a mulher.
Gostaria de abrir um parênteses e deixar aqui alguns comentários feitos por filósofos, clérigos e pessoas de alto nível cultural da Idade Média, a respeito das mulheres.
“A alma de uma mulher e a alma de uma porca são quase o mesmo, ou seja, não valem grande coisa.”
(Arnald Laufre).
“Toda malicia é leve, comparada com a malicia de uma mulher.”
(Eclesiástico 25:26)
‘Tú deveris usar sempre o luto, estar coberta de andrajos e mergulhada na penitência, afim de compensar a culpa de ter trazido a perdição ao gênero humano…Mulher, tü és a porta do diabo.”
(Quinto Tertuliano, escritor cristão, século III)
“Dentre as incontáveis armadilhas que o nosso inimigo ardiloso armou através de todas as colinas e planícies do mundo, a pior é aquela que quase ninguém pode evitar: é a mulher, funesta cepa de desgraça, muda de todos os vícios, que engendrou no mundo inteiro os mais numerosos escândalos.”
(Marborde, Monge de Angers, século XI)
‘Toda mulher se regozija de pensar em pecado e de vivê-lo.’
(Bernard de Morlas, monge da Abadia de Cluny, século XII)
“A mulher é um verdadeiro diabo, uma inimiga da paz uma fonte de impaciência, uma ocasião de disputa das quais o homem deve manter-se afastado se quer gozar a tranquilidade.”
(Francisco Petrarca, poeta italiano, século XIV)
“Que se leiam os livros de todos aqueles que escreveram sobre feiticeiros e encontrar-se-ão cinquenta mulheres feiticeiras, ou então demoníacas, para um homem.”
( Jean Bodin, jurista, sociólogo e historiador, século XVI)
“Pois a natureza pretende fazer sempre sua obra perfeita e acabada: mas se a matéria não é própria para isso, ela faz mais próximo do perfeito que pode. Então, se a matéria para isso não é bastante própria e conveniente para formar o filho, faz com ela uma fêmea, que é um macho mutilado imperfeito.”
(Laurent Joubert, conselheiro e médico inglês, século XVII)
E o que direi a respeito do terror dos aparelhos de tortura usados contra as mulheres que tinham a ousadia de se colocarem de maneira diferente perante a sociedade?
Muitas questões trazidas ao consultório, são decorrentes desta época de terror e chegam até nós através de nossas ancestrais, através das crenças de nossas antepassadas que vieram se fortalecendo através de gerações e gerações até nós. É lógico que vivemos tempos diferenciados, mas, a inferioridade e mediocridade daquela época, vivida por aquelas mulheres, está registrado em nosso inconsciente até hoje, e sem nenhum cunho religioso ou reencarnacionista aqui, embora trabalhando com TVP acredite que dê alguma maneira nossas crenças atuais estão sim relacionadas há tempos passados, mas, não é disso que quero tratar aqui, quero deixar claro que em nosso sistema familiar a macula deste terror ainda existe, basta olhar para trás e perceber que fomos educadas pelas filhas, das filhas, das filhas…destas mulheres, e que suas crenças se perpetuaram fazendo parte da educação e princípios familiares, nossa lembrança genética carrega esses padrões.
Desta maneira desenvolvi um trabalho diferenciado para as mulheres, especialmente voltado para sua natureza. Trabalhando o foco na auto-estima, no reconhecimento de sua sensibilidade, na aceitação de sua natureza, e no fortalecimento de sua individualidade. É claro que é um trabalho individual, respeitando as crenças e as particularidades de cada uma, mas restabelecer em cada mulher a graça, a delicadeza, a sensibilidade, o sexto sentido e certamente a força inerente de cada uma tão apagada e sufocada por crenças que não pertencem mais a mulher de hoje.
Se você não tem auto-estima, então acaba automaticamente buscando este apoio lá fora. O ideal é, dar amor a si mesma para só depois, se colocar na atitude de receber. Se não fizer isso, você acaba buscando amor e aceitação em outras pessoas. Essa situação a coloca numa situação vulnerável, de forma que, quando outras pessoas a criticam, você não consegue se proteger.
Não torne sua paz ou alegria responsabilidade do outro, nem tome como sua responsabilidade a paz e alegria dele.
O ideal é dar a si mesmo tanto amor e respeito, a ponto de começar o seu dia sentindo-se totalmente poderosa e absolutamente amada. Você pode e deve querer o amor de alguém, mas não precisa necessitar deste amor.
Na verdade você tem todo esse amor agora mesmo. O único problema é que muitas vezes você pensa que não tem. Você vive o pesadelo da limitação auto-imposta, que nem sequer é real.
Você pode se livrar dessas limitações quando quiser, basta tomar posse de seu poder e assumir o comando de sua mente. A partir de agora decido viver no PRESENTE, deixando de usar o passado contra mim mesma.
O relacionamento mais importante de sua vida é aquele que você mantém consigo mesma.
É muito libertador, liberar as velhas reações emocionais que acabam se tornando um”estilo de vida”.
Reivindicar sua maestria, é o movimento do agora em sua vida, ao aceitar tudo que existe dentro de você, você se eleva acima disso.
Reivindique a sua maestria, torne-se mestres de todas as porções de emoção que a tortura. Entre em contato com elas e assuma a responsabilidade. Não se deixe levar mais pelas feridas emocionais inconscientes, que desviam você e bloqueiam o seu caminho para a liberdade interior. É a sua consciência que cura, ninguém mais pode restaurar o poder sobre as suas próprias emoções, além de você mesma. É quando se torna consciente delas, com força, determinação e compaixão, que elas são liberadas.
Tornar-se inteira e leve, no nível emocional, é um dos aspectos mais importantes do crescimento.
Não torne isso mais difícil do que é. O caminho é simples, tem a ver com o amor por si mesma e com a claridade interior.
Paula Briani – Hipnoterapeuta.















