Conceitos de Hipnose
Este é um conceito polêmico, com muitas informações diferentes. Como é algo não palpável, o conceito também se torna um tanto abstrato. Há vários tipos de referencias para se falar de hipnose, mas, em um conjunto geral, todos concordam com a definição que você verá logo abaixo:
Hipnose é um estado alternativo de consciência ampliada, onde o sujeito permanece acordado todo o tempo, experimentando sensações, sentimentos, talvez tendo imagens, regressões, anestesias e outros fenômenos hipnóticos enquanto está neste estado.
Você fica mais interno, mais focado, mais acordado. Durante o transe, você vai se desligando das percepções externas e tem uma grande atividade interna, sem perder seu estado de alerta.
É um estado natural de consciência ampliado diferente do estado de vigília. O nome dado por James Braind, hipnotismo (um estado parecido com o sono), diz respeito à semelhança com esse estado.
De acordo com o dicionário Aurélio, “estado mental semelhante ao sono, provocado artificialmente, e no qual o individuo continua capaz de obedecer às sugestões feitas pelo hipnotizador”.
De acordo com Milton H. Erickson, “suscetibilidade amplia para a sugestão, tendo como efeito
uma alteração das capacidades sensoriais e motoras para iniciar um comportamento apropriado”.
Alguns autores consideram a hipnose um estado “alterado” de consciência. Este é um termo polêmico (alterado), pois tem um tom pejorativo.
Para a American Psychological Association, na definição publicada em 1993, a hipnose é um procedimento durante o qual um pesquisador ou profissional da saúde sugere que um cliente, paciente ou indivíduo experimente mudanças nas sensações, nas percepções, nos pensamentos ou nos comportamentos.
Mas mesmo toda a conceitualização tentada até hoje não consegue englobar toda riqueza da experiência da hipnose, a qual, por meio dos fenômenos hipnóticos, capacita uma pessoa a produzir novos aprendizados a se utilizar da sabedoria do seu inconsciente a seu serviço.
Para Erickson, o transe é um estado de sugestionabilidade intensificado artificialmente e semelhante, mas não igual ao sono, no qual parece ocorrer uma dissociação natural dos elementos conscientes e inconscientes do psiquismo. “o transe é um período no qual as limitações que uma pessoa tem no que dizem respeito à sua estrutura comum e referência e crenças, ficam temporariamente alteradas, de modo que o paciente se torna receptivo aos padrões, às associações e aos moldes de funcionamento que conduzem à solução de problemas.”.
Para Gilligan, o transe hipnótico seria “uma seqüência interacional, experiencialmente absorvente, que produz um estado especial de consciência, em que automaticamente começamos a ocorrer autoexpressões”.
Podemos dar uma definição prática: hipnose seria a absorção da atenção do sujeito. A atenção seria focalizada por uma indução ou por uma autoindução, absorvendo a atenção da mente consciente, e isto daria oportunidade à mente inconsciente de se manifestar por meio dos fenômenos hipnóticos. A pessoa então experimenta um estado diferente de consciência, com a mente consciente focada e parcialmente alerta, enquanto sua mente inconsciente experimenta formas variadas de manifestar as riquezas do inconsciente.
Os fenômenos hipnóticos aparecem de forma variada. Cada transe é único. Não necessariamente a pessoa entrará em transe da mesma maneira. Pode variar: variação de intensidade, profundidade e de fenômenos que ocorrem.
Os fenômenos hipnóticos são: rapport, catalepsia, amnésia, anestesia, analgesia, regressão, progressão, alucinações positivas, alucinações negativas.
A sugestão faz parte do transe. Auto-sugestão também. A sugestão seria uma comunicação associada a uma influencia que assim provocaria a absorção da mente consciente, que fica focalizada em algum tipo de absorção sensorial e ideativa. Desta maneira, ocorre a oportunidade de a mente inconsciente se manifestar, em diversos níveis, por meio dos fenômenos hipnóticos. Estabelecida a confiança, o rapport, há o acesso ao inconsciente e ocorre algum tipo de mudança.
COMUNICAÇÃO + INFLUÊNCIA = HIPNOSE
- ABSORÇÃO DA ATENÇÃO DA MENTE CONSCIENTE
- em sensações, sentimentos, percepções
- ELICIAÇÃO DA MENTE INCONCIENTE
-o aparecimento dos fenômenos hipnóticos
1+ 2 = TRANSE HIPNÓTICO
A ABSORÇÃO DA MENTE CONSCIENTE MAIS
O APARECIMENTO DE FENÔMENOS HIPNÓTICOS
LEVA A MUDANÇA.
Resumindo:
Todas as teorias até hoje desenvolvidas são úteis, mas não conseguiriam definir hipnose e dar a última palavra na descrição do processo e da experiência hipnótica.
Ela pode ser considerada como um estado de consciência diferente do estado de vigília. Ocorre também no estado acordado, no dia-a-dia, como um fenômeno natural.
É considerado um estado de atenção focalizada, uma absorção: a mente consciente focaliza a atenção e alguma coisa especial (percepção, pensamentos, imagens, estórias, amor etc.) e há uma dissociação da mente inconsciente (automatismo).
O que se sabe é que alguma coisa acontece que é diferente de estar simplesmente acordado. Há uma focalização da atenção voltada para o que é interno. Passa a valer também a realidade interna criada pela pessoa. Pode envolver relaxamento e todos ou alguns fenômenos hipnóticos.
Normalmente, ela é induzida, ou até auto-induzida. A boa relação entre as duas partes é uma condição importante. O rapport gera a confiança, a abertura, e faz com que aquele que guia possa ser ouvido e atendido em sua faculdade de absorver a atenção. O resto quem faz é o sujeito que está sendo hipnotizado. A hipnose acontece pela interação de duas partes.
Fisiologia da Hipnose
A hipnose acontece de tal maneira que parece imperceptível muitas vezes. Alguns pacientes, inclusive, não acreditam que estavam hipnotizados, pois ouviam, sentiam e tinham critica de tudo que estava acontecendo durante o processo de indução hipnótica.
Inclusive os achados neurofisiológicos de imagens, como RM, RMF e PET, só aparecem nas pessoas altamente suscetíveis à hipnose. Mesmo que pessoas com baixa suscetibilidade sejam hipnotizadas, como elas não fazem ativamente, seu cérebro não apresenta os achados que aparecem nos mais suscetíveis.
Mas, naqueles que são suscetíveis à hipnose, temos alguns achados interessantes. De acordo com Dr. Marlus Vinícius Ferreira, sem eu livro Hipnose na Prática Clínica, você poderá verificar:
- Menor latência para certos potenciais somatossensoriais e auditivos;
- Geração mais atividade teta no EEG, que pode ser originada no hipocampo e associada à atenção focalizada e a processos inibitórios. A atividade teta, entre 6,5Hz a 8Hz, ocorre mais à esquerda e mais nas regiões posteriores, em comparação com as pessoas menos susceptíveis à hipnose. A atividade beta, entre 12,5hz e 12hz, ocorre mais à direita e mais nas regiões posteriores;
- Durante indução hipnótica, a analise espectral do EEG mostra aumento na amplitude espectral de 40hz, indicativo de maior capacidade de focar a atenção... O despertar focalizado;
- O padrão da dimensão fractal do EEG é mais consistente com os processos imaginativos nos altamente susceptíveis a hipnose;
- Processamento da informação com mais automatismo;
- Exame RM com maior volume na região do rostrum do corpo caloso.
Tudo isso dito acima parece de difícil compreensão para todos. Mas o que é importante é que o cérebro desacelera, fica mais focado e a pessoa mais automatizada. Tudo se passa de uma forma mais lenta.
Há diferentes tipos de resposta ao transe hipnótico:
- Alguns ficam mais focados, ativando o córtex frontal;
- Outros vêem imagens, ativando o córtex occipital; e
- Outros têm mais emoções, ativando o sistema límbico.
Isso não quer dizer que, para se estar hipnotizado, você tem de ativar as três regiões ao mesmo tempo. Mas também pode! Você verá que as pessoas entram em transe de maneiras variadas. Algumas demoram, outras entram mais rapidamente. Algumas têm a facilidade para ver imagens, outras para relaxarem, outras para se emocionarem.
Fonte: Manual de Hipnose Ericksoniana / Dra Sofia Bauer



